
Deitada em minha cama ouço os barulhos que vêm lá de fora, então me ponho à olhar pela janela. A claridade me cega por alguns segundos, pois da escuridão que estará, ao olhar a quantidade de cores os deixam sensíveis. Após minha visão voltar ao normal e então poder ver o que tem ao meu redor e saber que barulho é esse que dá som à minha angústia, que faz a melodia perfeita para completar o que sinto.
Esse já era um som familiar, e o cheiro de terra molhada não desmentia o que já sabia, era a chuva, que vinha para fazer companhia à mim e minha solidão.
Me pus de joelhos em minha cama, me apoiei com minhas mãos nas grades da janela e então decidi ficar ali, e usar o que tinha ao meu favor para formar o acorde perfeito.
Me deixei observar cada gota que caía, a delicadeza com que elas iam tocando á àgua e fazendo transbordar à piscina. Olhei as por minutos longos, que me levaram á outro lugar, me fazendo pensar em coisas imagináveis, e como já não era de esperar, não me levaram a lugar algum, afinal as mesmas não obtem respostas, são apenas abstrações. Quando voltei à mim meus olhos se fixaram no chão. Os azulejos estavam tão brilhosos, limpos, cheios d'agua .. Então estiquei minha mão para tentar ver seu reflexo. Foi um esforço em vão .. Então sem pensar levantei e saí em direção à porta, fui forçada à me olhar no espelho,novamente.. pois ele estava atras da mesma, olhei-me, mais posso contar o que vi? na verdade não vi nada. Então sem mais esperar saí de meu quarto a fui até a varanda da frente. Olhei o chão brilhoso e então me sentei e crusei as pernas enlaçando-as com meus braços, e fitei-o, pensava em tentar ver meu reflexo, mais tive medo .. se nem em meu espelho conseguirá ver, em um azulejo molhado seria tão pouco provável .. Fiquei ali sem ter noção do tempo. Até que pus-me a descer uma perna, senti o chão gelado, e um frio na espinha, mais ainda sem coragem para olhar para baixo, então desci a outra e me prometi que assim que tocasse o chão eu olharia. Então o fiz, e posso dizer o que vi? mais uma vez nada. Me sinti incapaz, então levantei-me e andei até a piscina, talvez fosse pouca a àgua para refletirme não é mesmo.
As gostas caíam sem cessar e à cada passo me deixava mais perto da quantidade d'agua que era o suficiente para então poder me ver.
Já estava lá, só precisa me por de frente à ela, por meus pés em sua borda e então buscar a verdade. Fiz o que precisava e aos poucos fui fitando à água, quando finalmente olhei-a por inteira, para me ver refletir na mesma, e para minha surpresa, ainda não via nada. E então uma lágrima caiu sem perceber, ou pode ter sido apenas uma das gotas da chuva, mais quando ela tocou a água meu corpo se inclinou para frente e quando me dei conta estava dentro d'agua, bem lá no fundo tentando ainda me ver, buscando meu reflexo naquela imensidão de água. Minha respiração aos poucos ia falhando, mais eu não podia desistir agora, era minha verdade que estava preocurando. E finalmente quando consegui ver meu reflexo nos quatros cantos, naqueles azulejos que refletiam tudo o que era eu, e iam me prendendo para que eu não perdesse alguma parte. Minha respiração se foi e meus olhos se fecharam. Se fecharam então para jamáis esquecer quem eu fui, para guardar tudo que precisava saber sobre mim, minha verdade ..
domingo, 14 de novembro de 2010
Minha verdade.
Postado por dul às 21:20
