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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Extranjera.


Uma vez me vi andando em uma estrada sem fim, ou pelo menos eu à julgava assim. Era deserta, com matos verdes com as pontas queimadas pelo calor que fazia ali todos os dias. As árvores quase sem vida, se soprasse um vento mais forte seus galhos e flores viam ao chão, pois estava já sem forças para aguentar ao que era tão invisível, ao mesmo tempo sensível, mais para ela se tornava algo tenebroso e forte. Pude me identificar com elas, pois me sentia exatamente igual, sem forças para vencer o que eu ao menos posso ver ..
Minhas pernas estavam cansadas, meus cabelos grudavam em minha teste através do suor, minha vista já embaçará. Fazia horas que estava andando sem parar, sem comer ou beber. Apesar de que não lembrará de por na mochila comida ou água. Só tinha trago o que me era importante, minha mochila com apenas pensamentos e memórias e meu violão em minhas costas ..
De longe avistei uma árvore grande, com folhas verdes, e galhos fortes, me apressei para então sentar em sua sombra e quem sabe conseguir que aquela pobre árvore me fortalecesse assim com ela naquela imensidão devastada. Me sentei, apoiando minhas costas nela, estiquei minhas pernas e as cruzei , pus meu violão em meu colo . Olhei ao meu redor, respirei fundo, inalando o cheiro daquela àrvore, e assim e sem perceber ali estava eu começando a formar melodia, ritmo, harmonia, letra como nunca havia feito antes, aquele ar que pude respirar pulsava dentro de mim, meus dedos, já não tinham controle, eles apenas iam ao ritmo que aquele momento me proporcionava. E quando parei, e senti suas folhas caindo sobre mim, lágrimas escorreram de meus olhos e percebi que tudo que tinha feito ali, não se repetiria. E tantas perguntas iam se formando em minha cabeça, eu sabia que estava indo para o fim, mesmo que não tivesse um, não cansaria de procurar. E agora já me sinto livre, livre como um pássaro, uma árvore que deixa suas folhas caírem, para então nascer outras novas, já não estava presa à algo que nem eu mesma sabia, talvez seja eu querendo me prender a mim mesma, me proibindo de conhecer, ver, tocar, conhecer o que jamais pude imaginar.
Ontem eu não sabia o que eu queria , mais hoje eu sei o que quero ser .. uma extranjera, talvez aquela que muda não só a minha vida com apenas as pontas dos meus dedos e um objeto de madeira, mais talvez eu seja aquela que com sua mochila cheia de pensamentos e aprendizados , com meus dedos e meu violão, e com algumas folhas caídas da árvore que me deu vida novamente, mude não só uma vida, mais sim milhares . Ou quem sabe o mundo todo ?!